Como plantar, cultivar e cuidar da cultura corporativa da sua startup?

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Quer saber como cultivar uma boa cultura na sua startup? Darei o exemplo da Rock Content!

Quase 2 meses atrás, o amigo Miguel Cavalcanti me pediu para dar um talk sobre cultura corporativa para o time do Agrotalento. Eu gosto muito do assunto e inclusive já escrevi sobre isso por aqui. Mais legal que isso, ele ainda tomou notas da palestra e me enviou para que eu pudesse dar um tapinha. Demorei mas aí vai @miguel, valeu pelo convite.

Cultura corporativa sempre foi um tema que chamou muito a minha atenção. Sempre quis entender como empresas como Apple, Google, Netflix e Spotify criaram times que vivem os valores da empresa e constroem coisas fantásticas.

Quando começamos a Rock Content, éramos apenas eu e meus dois sócios (Edmar e Peçanha) em uma sala pequena, fazendo — literalmente — tudo. Desde de vender a escrever e revisar textos para nossos clientes.

Mas desde quando trouxemos nosso funcionário #1, sempre tivemos a clareza de que a cultura da Rock deveria ser cultivada desde o primeiro dia.

Hoje eu vou contar como transformarmos a cultura corporativa da Rock em um ativo, e porque acreditamos que esse pensamento é essencial para o sucesso que a Rock tem atingido.

A história por traz da cultura da Rock Content

Nosso primeiro aprendizado aconteceu bem cedo na jornada da empresa. Por volta de 20 funcionários, percebemos que os rockers já começavam a se tornar um pouco desalinhados. E é claro, não era culpa deles.

Trabalhamos duro para construir uma empresa legal, alinhada com as coisas que acreditamos, mas ainda não havia um mecanismo consistente de transmissão da nossa cultura dentro da empresa para guiar os new hires e eles ficavam meio perdidos.

O primeiro passo para solucionar isso (e o embrião da nossa cultura corporativa atual) foram os Rock Ways. Nele, o Ed (CEO da Rock) junto com os demais sócios, criou um documento simples, de uma página, explicando o que queríamos construir com a empresa.

Esses eram os Rock Ways que, basicamente, podem ser expressos em 3 palavras: aprender, ensinar e resolver.

Essa foi nossa primeira virada cultural. A partir desse momento, vimos que as pessoas começavam a se esforçar para mover-se na mesma direção e cada vez mais as similaridades pareciam superar as diferenças.

Lado a lado, criamos um processo de contratação muito melhor, pois sabíamos o que era esperado de um candidato que combina com a Rock Content. Passamos também a estruturar melhor o processo de contratação. Entrevistas, testes técnicos, perguntas sobre cultura e até uma entrevista com o CEO. Conseguimos criar um funil de talentos e garantir que aquele profissional fosse a melhor escolha possível para a vaga.

Acreditamos muito que para entrar na Rock, não basta ser bom. Para a pessoa entrar ela precisa ter clareza do porquê ela quer fazer parte do time da Rock, valorizar o que valorizamos e acreditar no que acreditamos.

Mas, com o crescimento, as coisas começaram a ficar confusas novamente. Quando chegamos em 50 rockers, ficou claro que estávamos dando um documento para o novo candidato mas não estávamos fazendo esforços para reviver a cultura frequentemente.

Sentimos que precisávamos expandir os Rock Ways e criar um código de cultura da Rock, mostrando como viver aquilo no dia a dia, nas tarefas, na comunicação e em todas as esferas do trabalho. Nesse momento, decidimos criar e publicar o Culture Code @Rock Content.

A nossa ideia era criar um material (quase) definitivo sobre a cultura corporativa da empresa.

ENTER ROCK’s CULTURE CODE

Entrevistamos todos os então Rockers para criar nosso documento de cultura e entender como eles viam a empresa. Perguntamos o que eles gostavam na Rock, o que eles não gostavam e até mesmo onde eles imaginavam que a Rock poderia chegar.

É muito importante entender que cultura não é algo estático. Ela não é apenas quem você é, mas também quem você quer ser. Ela também é um conjunto do que acreditamos, do que valorizamos. A cultura representa quais valores não abrimos mão em nossas ações do dia a dia e, principalmente, na hora de tomar decisões difíceis. Por isso esse material é um material vivo. Ele sempre vai mudar, melhorar e se adaptar.

Além disso, a cultura corporativa que você adota atrai pessoas que se identificam com esses valores e passa a se tornar um ativo da empresa. Cultura é algo que tem um valor inestimável.

Sempre falamos com nossos rockers para cuidar da nossa empresa como se fosse deles, porque deu muito trabalho para chegar até aqui e queremos que todos encontrem o seu caminho dentro da Rock. Sempre procuramos dar o melhor ambiente para que todos cresçam como indivíduos e como profissionais.

Precisávamos deixar claro o que queríamos. Cultura de qualidade vêm através de transparência e confiança. De comunicação clara entre pessoas e times. Nesse ponto, nossos valores foram expandidos para aprender, ensinar, resolver, trabalhar em equipe e crescer.

A Rock é uma empresa acelerada e em mudança constante, e precisávamos documentar nossa cultura de alguma forma.

Nosso Culture Code é o resultado de todo esse processo. De entrevistas, crescimento, mudança e aprendizado. Reunimos tudo o que nós (fundadores e colaboradores) prezamos em um documento que apresenta a Rock não só como ela é, mas também como ela gostaria de ser.

Para entender bem como pensamos na nossa cultura corporativa precisamos olhar para cada um dos nossos valores individualmente. Então, let’s start!

Valor 1: Aprender

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Aprendemos coisas novas todos os dias, temos um eterno coração de estudante. Eu acompanho mais de mil feeds RSS, o Ed, CEO da Rock, leu mais de 100 livros em um ano, e o Peçanha cada vez mais se torna a nossa referência em marketing digital (além de ter montado seu próprio fliperama com 13 anos).

Aprender precisa ser um valor ativo dentro da empresa. Nossos times são treinados frequentemente para se atualizarem e nós também incentivamos a todos que leiam blogs do mercado para se manterem em dia com o aprendizado. Também mantemos um canal de comunicação claro com nossos clientes e parceiros para entender suas dificuldades, desafios e resultados obtidos. Também queremos aprender com isso.

Quando fundamos a Rock Content o marketing de conteúdo era um mercado completamente novo. Hoje não podemos falar que ele está amadurecido, mas está chegando lá. O aprendizado é indispensável dentro de mercados desse tipo, pois a mudança é constante.

Um ponto interessante é que por sermos uma startup, sempre existe aquela visão de que não acreditamos nos métodos acadêmicos. E isso não é verdade. Nós acreditamos que aprendizado também é obtido através de experimentos científicos. No começo da empresa grande parte do que aprendemos veio através de testes e experimentos, afinal, estávamos explorando um mercado novo.

Em conjunto, procuramos por mentores que nos ajudariam a alcançar nossos objetivos, e continuamos com essa mentalidade hoje. Incentivamos nossos Rockers a escolherem mentores (dentro ou fora da empresa) que podem ajudá-los a desenvolver suas carreiras. Temos iniciativas diversas como nossa biblioteca, a Escola da Rock, nosso processo de onboarding (que passa muito por cultura) e os Rock Talks.

A cereja do bolo é que adotamos a política de livros infinitos. Isso mesmo. Se alguém dentro da empresa quer ler um livro, é só fazer um pedido e ele vai receber o livro desejado, sem perguntas nem questionamentos. Além disso, todos os funcionários da Rock tem uma conta free no meu side project, o 12minutos.

Valor 2: Ensinar dentro da startup

Se você pensar no mercado em que estávamos entrando com a Rock, é fácil perceber que ele precisaria de muita educação. Como parte da nossa cultura desde o começo da empresa, ensinar não estava limitado apenas ao ambiente interno, mas ao externo também.

Nossa primeira estratégia de marketing foi criar o blog marketingdeconteudo.com e produzir conteúdo que educasse nossos clientes, antes mesmo de eles se tornarem um. Ao longo dos anos isso cresceu de uma maneira incrível. Hoje, temos blogs focados em produtores de conteúdo, growth hacking e pesquisas de mercado.

Queremos ensinar não só nossos clientes, mas também os clientes deles, nossos Rockers e também nossos parceiros.

Dentro da empresa sempre fomos abertos ao ensino. Não existe aquela hierarquia padrão de corporações. Se um cara que acabou de entrar tiver uma dúvida e quiser tirá-la comigo, é um prazer respondê-lo e ajudá-lo a entender algo. Nós incentivamos todo mundo a explorar esse canal de comunicação direto, sem rodeios.

Para nós, ensinar precisa começar de dentro da empresa.

Valor 3: Resolver

Nos primeiros meses de vida da Rock tudo era gerenciado por planilhas (muitas delas). Todo mundo fazia tudo. E encontrar soluções sempre foi o valor que uniu a equipe. Como falei antes, não gostamos que nos contem os problemas, mas sim que apresentem um processo de solução que vá resolver esse problema.

Não me entenda mal, não estamos exigindo que tudo funcione e saia perfeito. Lembra que para aprender gostamos de adotar experimentos científicos? Resolver problemas precisa ser algo processual, como um experimento, e nós valorizamos profissionais que tomam essa iniciativa.

Gostamos de falar que “somos a mudança que nós buscamos”. Antes de reclamar sobre algo, propomos uma solução. Mesmo que ela falhe, vamos aprender com isso e melhorar na próxima tentativa. É melhor errar tentando do que ficar parado e não fazer nada.

Como uma startup, queremos ser escaláveis. Procuramos crescer rápido e para isso é preciso resolver problemas. Aqui não existe “isso não é problema meu”. Quando alguém traz um problema, incentivamos a pessoa a trazer soluções para aquele problema. Resolver precisa fazer parte do dia a dia de todo mundo.

Mas isso também vale para nossos clientes. Se um cliente tem um problema, nós resolvemos. Foi assim que chegamos até aqui, e é como queremos continuar crescendo.

Valor 4: Trabalhar em Equipe

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O trabalho em equipe é o combustível que trouxe a Rock até aqui. Desde o começo eu, Ed e Peçanha sempre prezamos por transparência e confiança. Errar não é problema, mas o importante é admitir o próprio erro e aprender com ele.

Se temos uma equipe de confiança sabemos que podemos sempre contar com ajuda quando precisamos, e isso tem um valor inestimável para a empresa.

Nossa cultura sobre trabalhar em equipe mudou bastante ao longo dos anos. O primeiro passo foi aumentar a seletividade no nosso processo de seleção. Quando somos mais exigentes, espantamos os candidatos ruins e atraímos aqueles que querem realizar coisas grandes.

Um time não é uma família. Não podemos escolher nossos parentes em uma família, mas em um time é possível escolher o melhor jogador para cada posição. É aquela velha história do teste do Netflix: por quem no seu time você lutaria, caso ele quisesse sair da empresa?

Dentro da cultura da Rock, consideramos o feedback como uma das maiores ferramentas para o crescimento do negócio e para o sucesso do trabalho em equipe. Preferimos sinceridade à delicadeza, pois ser sincero resolve problemas. Além disso, todo feedback deve ser direto, ele não pode ser anônimo.

Para nós trabalhar não é a parte chata da vida. Seu trabalho é reflexo da sua vida, se um não está bom, o mesmo vale para o outro. Aqui na Rock nós estamos sempre em mudança e é preciso que o Rocker esteja alinhado com esses valores para crescer junto com a empresa. Para isso, ele precisa estar feliz e encontrar propósito no que faz.

Valor 5: Crescer junto com a startup

Crescimento sempre foi nosso maior combustível.

Saímos de 3 caras em uma salinha para 40 pessoas em uma casa, para 100 pessoas em um andar e agora para mais de 240 Rockers em 4 andares. Crescer é como andar para a gente.

Procuramos por pessoas que queiram construir algo grande, ter sua assinatura em um projeto que tenha significado. Aqui ambição é bem vista, queremos pessoas que se questionam o tempo todo sobre o que podem fazer para serem mais foda do que foram semana passada, e descubram o que podem fazer para alcançar isso.

Para isso, procuramos crescer em 3 dimensões: como indivíduos, equipe e empresa. Queremos aprender mais e realizar feitos, criar equipes que colaborem entre si e conquistem resultados, e criar uma empresa que forneça valor para nossos clientes, o que afeta diretamente a nossa receita.

Vivemos isso querendo sempre mais. Queremos nos desenvolver, crescer. E procuramos por pessoas que compartilham o mesmo objetivo. Trabalhamos todos juntos para crescer nessas 3 dimensões.

Para mim o principal motor do crescimento da Rock são dados. É aquela frase clássica “In God we trust, the rest bring data”. Nós coletamos dados, aprendemos com eles e tomamos decisões. É assim que crescemos.

No final das contas, sempre nos comparamos a nós mesmos, mas não deixamos de lado todas as empresas com quem podemos aprender. Elas fornecem insights valiosos que podem ser aplicados no crescimento do nosso negócio.

Um detalhe legal é que para crescer, nós precisamos dos nossos Rockers felizes e alinhados com a cultura. Por isso, aplicamos Employee NPS’s regularmente e usamos o aprendizado de cada um deles para melhorar, adaptar e continuar crescendo.

Indivíduos, equipe e empresa.

Wrapping up

A Rock Content é um bicho diferente do que vemos por aí. Desde o primeiro dia, sempre prezamos por uma cultura que retratasse bem os nossos objetivos para empresa. Hoje, estamos crescendo como nunca e acreditamos que cada vez mais a nossa cultura corporativa se fortalece.

Eu realmente acredito que ter valores claros e bem definidos faz toda a diferença na hora de escalar uma startup. Essa cultura precisa traduzir o que os fundadores almejam para o negócio, e no futuro você vai colher os frutos de começar certo logo de cara.

Confira abaixo o deck completo do Culture Code da Rock:

Let’s #KeepRockin’!

Victor Maia

Victor Maia

CMO as a Service @Hack4Change, Head of Community @SaaSholic and Community Manager for Team GaryVee Brazil. Eventually writes on https://elemento.ag/blog/ and podcasts on https://growthdiaries.me/.

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