Agibank protocola o IPO: analisando o prospecto

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Analisando o prospecto do Agibank

Seguindo o supercrescimento das Fintechs no mercado brasileiro, a Agibank dá os primeiros passos para realizar mais um IPO de fintechs na B3.

Com o prospecto recém submetido à CVM, o banco segue os passos do PagSeguro e Banco Inter, se tornando mais uma fintech brazuca a abrir o capital. Assim como o Inter, a oferta vai ser exclusiva para a bolsa brasileira.

A Agibank entra na jogada como “uma empresa de tecnologia que oferece serviços financeiros”. Mas eu prefiro o que eles dizem em sua demonstração financeira: são o “WhatsApp dos bancos”!

Com os rumores do IPO girando em torno de R$ 800 mi, resolvi dar uma olhada, escrever um pouco e aprender um pouco mais sobre a empresa. Vamos nessa?

História

A Agibank é a evolução dela Agiplan Seguros, que se tornou o Banco Agiplan, e então voltou seus esforços para os serviços digitais se tornando a Agibank.

Liderada por Marciano Testa, a Agibank é o resultado da compra do Banco Gerador para a Agipar Holding em Julho de 2016. No começo de 2018 aconteceu o rebranding para Banco Agibank S/A.

A proposta da Agibank é ser um banco digital móvel com um portfolio diversificado de serviços. Como parte disso, ela administra uma série de negócios entre consórcios, corretoras, gestora de cobranças e adquirentes. Hoje o Agibank conta com 530 mil clientes ativos (Mar/2018).

Uma coisa bacana e que deixa claro que o os preparativos para o IPO já estão rol do a algum tempo é que eles já batem muito na tecla da Governança Corporativa e o site é recheado de informações sobre a estrutura organizacional da empresa. Tudo pronto para entrar no mercado por lá!

Serviços do Agibank

Como a maioria dos bancos digitais, a Agibank começou atuando em uma vertente específica de mercado. No caso da Agibank, tudo começou com a Agiplan Corretora de Seguros, que na prática era uma financeira.

Claramente hoje a gama de serviços oferecidos é bem maior e a empresa segue adicionando novos serviços ao portfolio.

Um dos pontos de destaque é a conta digital gratuita e 100% aberta. Não é preciso convite ou pagamento de taxas. Porém, com uma limitação: Ainda é necessário validar a conta em um dos 450 postos físicos espalhados pelo país (segundo eles existem um ponto em todas as cidades com mais de 500k habitantes), mas confesso que eu nunca vi um.

Os investimentos seguem a mesma ideia e é possível investir diretamente pelo app. Já seguros e crédito ainda são um pouco mais burocráticos. Outra vertente são os mobile payments, com o Agipay, que permite realizar transações diretamente pelo celular.

Entre os planos da empresa, estão abrir filiais físicas em São Francisco, CA, para oferecer o serviços de transferências internacionais. Te cuida Transferwise!

Show me the Numbers!

Agora vamos ao que realmente interessa: dados! A mudança no cenário econômico nacional foi determinante para o boom das Fintechs e com o Agibank não foi diferente.

Apesar da queda em 2015, deste então o lucro líquido e EBIT mostram que o mercado está à todo vapor, mesmo com tantos players no mercado. R$127m de lucros e 205m em EBIT em 2017!

O total de ativos geridos da empresa tb segue crescendo, mesmo em 2015 e fechou 2017 com R$ 1.5 bi. Para 2018 o objetivo é quintuplicar a base de correntistas (1.6 milhões). Como? Continue lendo e vc vai descobrir 😉

As operações de crédito são o cash cow do Agi. É o único serviço detalhado no prospecto, mas está claro que o volume cresce aceleradíssimo, batendo quase 1b em 2017.

A carteira total tem um valor considerável ($ did I hear billions?).

Escaneando um pouco mais é possível achar a descrição de cada serviço de intermediação financeira e como eles compõem o plano geral. As operações de crédito lideram, tem muito espaço para crescer.

The way for M&A

Os demonstrativos deixam claro que a força do Agibank está no crédito, mas com grandes ambições para as oportunidades que surgem no mundo do “banco digital”.

O IPO é uma jogada inteligente para encher o caixa, investir pesado na tendência e diversificar. Para entender o contexto geral, é importante entender como a roda gira por lá. A empresa é uma holding complexa, vejamos:

“Em 31 de dezembro de 2017 o Grupo mantem, sob controle comum, operações por meio de duas holdings, a Questa Holding S/A (“Questa”), que controla as empresas Soldi Promotora de Vendas Ltda. (anteriormente Agiplan Promotora de Vendas Ltda.), Agiplan Serviços de Cobrança Ltda., Agiplan Corretora de Seguros S/S Ltda., Centercomp Central de Serviços Compartilhados Ltda. (anteriormente Agipag Soluções em Meios de Pagamento S/A.), Promil Promotora de Vendas Ltda., Telecontato Call Center e Telemarketing Ltda. e Banklab Empresa de Tecnologia Ltda, e a Agipar Holding S/A (anteriormente Agipar Holding Financeira S/A.), que controla diretamente a Agiplan Financeira S/A CFI, a Agiplan Administradora de Consórcios Ltda. (anteriormente Agiplan Administradora de Consórcios S/A.) e o Banco Agibank S/A. (anteriormente Banco Agiplan S.A.).”

Diversificação

Para construir este conglomerado super diversificado, aquisições como a Promil Promotora de Vendas, e o Banco Gerador foram essenciais, sendo que o último aumentou consideravelmente o número de correntistas. O Banco Gerador foi o maior responsável por “gerar” o crescimento daquele ano. O IPO dá indícios que tem mais M&A por vir 😉

As oportunidades no mercado Fintech brasileiro são muito grandes e já falamos disso por aqui. Com a inclusão bancária das classes C e D, e o crescimento do mobile, o mercado está agitado. Vide, por exemplo, o Neon, que levantou $22m esta semana (num series A, wow!!). Ops, fechou!

A Agibank quer se tornar o primeiro banco omnichannel, combinando o físico com o digital. E como fazer isso na unha não é fácil, M&A’s acabam sendo um acelerador.

Junto com grandes investimentos em TI, adquirir outros players do mercado é a aposta da Agibank para dominar o mercado.

A oferta terá apenas ações preferenciais, e não temos preço ainda, mas especular é grátis, então…

R$ 18,00. R$ 800 mi captados, 44.444.445 ações negociadas, ~27% do total de ações preferenciais.

Agi/ágio/ágil?

Com o recente IPO do Inter e últimas rodadas de investimento de Nubank e Neon, ser uma Fintech bancária se tornou um desafio e tanto, mas o mercado quer “banco digital”. 😉

A Agi é um grande conglomerado diverso, algo que mitiga riscos, um diferencial com relação aos novos entrantes da categoria. Estes, porém, tem a vantagem do foco. Apesar da ambição, o Agi ainda me parece muito mais uma financeira modernete do que um “banco digital”, espaço com muitos players novos, mas também muito fortes e capitalizados.

Mas….

IPO do Agibank on hold

Há alguns dias o Agibank resolveu suspender a sua oferta inicial de ações. A definição do preço das ações estava agendada para quarta, dia 20 de Junho, mas a oferta follow-on do PagSeguro (que vai ofertar mais US$ 1,2 bi) e as turbulências do mercado obrigaram uma mudança nos planos.

As coordenadoras (Credit Suisse, Bank of America Merrill Lynch, Itaú BBA, BTG Pactual e Bradesco BBI) concluíram que o preço por ação ficaria bem abaixo do esperado.

E aí? Você acha que esse IPO sai ou não sai?


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Diego Gomes

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